Anatel e velha mídia X Internet e Netflix

Isabella Henriques e Marina Pita (adaptado).

Operadoras querem limitar internet fixa.

 
Aproveitando o caos político instaurado no país, as empresas de telecomunicações anunciaram – unilateralmente – que as conexões de Internet fixa seriam alteradas e que, além da velocidade, o volume de dados seria também estabelecido e, quando alcançado o limite de transferência de dados, a conexão simplesmente cessará. 

Com o estabelecimento de franquia de dados na rede fixa, como acontece na rede móvel, um número ainda menor de famílias teria capacidade de dispor de serviços de vídeo sob demanda, de baixar conteúdo, de trocar conteúdo.


As empresas alegam que precisam limitar o uso de dados porque é injusto que mesmo quem consome muito pague apenas pela disponibilidade da conexão na qualidade escolhida. Ora, o que elas dizem é que é injusto pagarmos por canos e infraestrutura quando consumimos muitos dados. Mas é preciso alertar o leitor. Essas empresas não produzem dados. O seu consumo maior de dados não significa um custo maior para a empresa. Os dados tampouco desgastam os cabos. Os cabos desgastam com o tempo, como sempre foi.


Então por que esse discurso infundado agora? Simples. As empresas de telecomunicações perderam a corrida para oferecer serviços que dependem da Internet. Seus aplicativos de vídeo sob demanda naufragam, um após o outro. E como seus acionistas exigem a ampliação da margem de lucro – uma exigência incessante, muito mais agressiva do que qualquer pedido infantil – a solução é penalizar o usuário, o cidadão e as classes menos favorecidas que seguirão com ainda menos acesso.


E o mais incrível é que estas empresas e seus acionistas contam com uma agência reguladora que não pensou duas vezes em dizer que elas estavam certas, que a farra da Internet estava mesmo na hora de acabar. Os pais teriam muito a ensinar à agência de como dizer não. A Anatel, depois da pressão dos cidadãos usuários – aqueles com quem deveria realmente se preocupar – voltou atrás e suspendeu a decisão .



Se o vídeo sob demanda é hoje um conforto que apenas uma elite pode ter acesso, ela será ainda mais inacessível se as provedoras de Internet fixa conseguirem impor o limite de franquia. E se dessa perspectiva a coisa já parece ruim, imagine se acrescentarmos o impacto na liberdade de expressão, acesso à informação e ao conhecimento que a sanha por lucro das operadoras pode significar. Mas nós, os pais, ficaremos atentos. Certo?

 Fonte: meio&mensagem



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