Os bastidores do locaute monstruoso que estrangula o país
É isso o que acontece quando a elites brasileiras tomam o poder de assalto: o caos. Quem parou o país não foram sindicalistas radicais, foram os patrões que vestem terno e gravata, os presidentes de federações de transporte. Eles dizem odiar tumultos e vandalismo. No tumulto que causaram essa semana, a Petrobras sofreu um vandalismo cujos prejuízos chegaram a 14 bilhões de dólares, ou quase R$ 50 bilhões em valor de mercado.
“Pelas informações que tenho recebido, o movimento se caracteriza como um locaute, capitaneado por grandes empresas distribuidoras que querem manter suas margens [de lucro]”.
O acordo fechado ontem não passou de uma cortina de fumaça para ludibriar o país e sedar um pouco da ansiedade, ao mesmo tempo tirando os grandes empresários do olho do furacão e, assim, livrando-os das responsabilidades. O fato é que 70% da frota de caminhões está nas mãos das grandes empresas, organizadas nas grandes confederações. A maior delas é a CNT (Confederação Nacional dos Transportes).
Quem leu com atenção ontem as notícias sobre o acordo fechado pelo governo, percebeu logo que se tratava de um engodo e que o locaute continuaria. As federações fecharam o acordo com o governo mas a ABCAM, Associação Brasileira de Caminhoneiros, que representa 700 mil caminhoneiros (na verdade, representa as empresas que possuem os caminhões), não aderiu e abandonou a reunião.
Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, ao anunciar ontem com pompa o acordo, sabia que a paralisação continuaria hoje e que apenas encobria, com aquele acordo, a responsabilidade das grandes empresas e federações, que assim podiam sair de cena. Mas a ABCAM continuaria bloqueando as estradas. Na verdade, e isso é muito significativo, a ABCAM não é um corpo alienígena, mas é parte da CNT:
“A ABCAM, embora reconhecida, não tem abrangência nacional. A entidade passou a integrar a sessão de transportes de carga da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em 2003.”
Evidentemente que, como parte da CNT, que assinou com o governo, a ABCAM devia ter seguido a CNT. Ou ser expulsa imediatamente dela. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. O que mostra que há uma trama para manter o país bloqueado, sem sequer pensar nos custos humanos e materiais desse estrangulamento monstruoso.
E, vale lembrar, a CNT é aquela confederação que encomendou a pesquisa em que a maioria dos brasileiros, 51%, dizem ser favoráveis à prisão de Lula. Esta pesquisa é tão verdadeira quanto foi verdadeira a disposição da CNT de terminar o locaute após o “acordo” com o governo de ontem. Esse locaute é político, e pretende jogar o Brasil num caos semelhante ao da Venezuela. Mas disso, temos que falar em um próximo artigo.
Fonte: O Cafezinho
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